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Agora vai

Agora vai!Mais um número gigantesco de morte por dia, um número realmente de assustar. Quase 4 mil e duzentos mortos em apenas um dia.Isso não é falta de assistência, isso não é falta de recurso, não é falta, enfim, de desespero.

Estamos numa crise de saúde, numa pandemia, numa crise econômica, numa crise moral, numa crise ética.Olhando assim só conheço uma coisa que possa explicar, tirando o restante do mundo, no Brasil, mesmo não sabendo em qual nível estamos, sei, estamos no Inferno de Dante Alighieri, não acredito que estejamos nos primeiros níveis, o número de mortos, a insensibilidade humana, a falta de amor, a falta de solidariedade nos aponta que já fomos fundo.

Inferno de Dante

O “agora vai” do título não é de saída, mas de medo, medo de ficarmos presos, como Dante aponta, por uma eternidade num desses níveis.

Quando Ministro do Supremo abre o Lockdown, dizendo estar garantindo direito religioso, não existe nada mais “tão religioso” que a morte de fieis (alguns juristas apontando crime de responsabilidade e por tanto passível de impeachment), vejo a maior crise de saúde que estamos passando, e que não é a provocada pelo SARS-CoV-2, é mental, que atinge apenas quem tem poder.

Nossa crise não é por falta de dinheiro, não é por falta de recurso, não é por falta de perspectiva para o futuro, é por sobra, sobra de soberba, sobra de negacionismo, sobra de hipocrisia, “sobra, por falta, de razão”

Me resta agora imaginar, como caminho depuratório o Inferno proposto por Alighieri, que possamos passar pelos nove níveis e sairmos limpos, puros, deixando todos os nossos hábitos nefastos que geraram “tantos pecados”, para sermos, em vida, colocado em inferno tão profundo.

Agora vai!”…

Da nossa vida, em meio da jornada,

Achei-me numa selva tenebrosa,

Tendo perdido a verdadeira estrada.

Dizer qual era é cousa tão penosa

Desta brava espessura a asperidade

Que a memória a relembra inda cuidosa.

Na morte há pouco mais de acerbidade;

Mas para o bem narrar lá deparado

De outras cousas que vi, direi verdade.

Contar não posso como tinha entrado;

Tanto o sono os sentidos me tomara,

Quando hei o bom caminho abandonado.

Depois que a uma colina me cercara,

Onde ia o vale escuro terminando,

Que pavor tão profundo me causara….”

Trecho do Primeiro canto – Primeiro inferno

Por José Ribas

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