O QUANTO SUA EMPRESA ESTÁ PREPARADA PARA ENFRENTAR CRISES?

Foto IStock

No primeiro artigo dessa coluna, o assunto não poderia ser outro: os impactos causados pela pandemia do Corona vírus. Da noite para o dia, as pessoas foram obrigadas a ficar em casa, estabelecimentos comerciais impedidos de abrir suas portas, milhares perderam o emprego e as bolsas mundo afora sofreram quedas exorbitantes. Como toda crise, sabemos que essa também vai passar. Que lição podemos aprender de tudo isso?

Em seu último livro, o autor Nassim Taleb estabelece o conceito do “antifrágil”. Assim como ficamos fisicamente mais fortes quando submetidos à tensão, muitas coisas se beneficiam do estresse, da desordem e da volatilidade. O que Taleb identificou e chama de antifrágil não só tira proveito do caos, como precisa dele para sobreviver e florescer. O antifrágil está além do resiliente e do robusto. Estes resistem a choques e permanecem os mesmos; o antifrágil, por sua vez, se torna cada vez melhor

É nesse meio de caos e adversidades que surgem demandas para uma série de adaptações e melhorias nas empresas e modelos de negócios. É justamente pela necessidade de seguir em frente que surgem soluções inovadoras frente a demandas latentes ou que modelos de negócios são repensados de forma a se reinventarem para se tornarem novamente sustentáveis a longo prazo.

Não é à toa que algumas empresas seguem em ritmo de crescimento, contrariando a lógica da crise. O segredo é tomar decisões rápidas, se adaptar rapidamente e não deixar a crise ser usada como desculpa para reduzir o ritmo. Buscar eficiência, estimular as equipes, cortar gastos e implantar novas tecnologias são outras estratégias para garantir que a operação continue funcionando. A pandemia mudou hábitos e antecipou muitas das inovações que só seriam aplicadas anos à frente. Quem foi mais rápido e mais inteligente, saiu na frente dos concorrentes.

Mas quando tudo isso vai passar? Estamos imunes a novas crises? Como diz o bilionário Flávio Augusto, empreendedor, fundador da Wise Up e Geração de Valor, “estabilidade não existe”. É impossível prever com exatidão quando outros momentos de dificuldade surgirão. O importante é você sair dessa fortalecido e preparar sua empresa para ser um barco capaz de navegar em meio a tempestades. Deixo aqui alguns insights para você preparar sua empresa para futuras adversidades, os quais serão abordados individualmente nos próximos artigos desta coluna.

Melhore seu fluxo de caixa

Um dos problemas fundamentais da crise é o buraco no caixa. Na medida que as demandas foram diminuindo em virtude das restrições de circulação, aumento do desemprego e da retração do consumo, a queda pela demanda de produtos e serviços teve uma queda significativa. Não há outro caminho a não ser reduzir custos e tentar alternativas para reforçar as receitas. É fundamental reavaliar os custos e definir prioridades para manter o negócio funcionando. Aproveite a oportunidade para, assim que possível, planejar uma reserva de emergência para que, em uma situação semelhante, sua empresa possa passar de três a seis meses com tranquilidade, mesmo com uma queda brusca no faturamento.

Estreite o relacionamento com seu cliente

Através das redes sociais, aplicativos de mensagens, e o bom e velho telefone. Abuse das mídias sociais. Em um momento em que os clientes estão confinados em suas casas, as redes sociais como Instagram e Facebook são uma ótima ferramenta para chegar até o público. Não se esqueça também do Google, principalmente se sua empresa ou produto atende nichos específicos. Por isso, é importante que você profissionalize a sua presença digital, com um planejamento de conteúdo e acompanhamento de métricas de engajamento e resultado. E por falar em relacionamento, é uma boa hora para você pensar em implantar um CRM na sua empresa para melhorar a gestão dos clientes.

Avalie seus canais de atendimento

Se a rentabilidade do seu negócio ainda depende majoritariamente do fluxo de pessoas em seu estabelecimento comercial, sua loja física, comece a pensar em outros canais de atendimento, como chat, televendas, vendas online, aplicativos de delivery. Se você ainda tinha resistência em aderir a esse modelo, esse é o momento da sua empresa repensar a estratégia e começar a vender pelos canais digitais. Avalie qual das diferentes plataformas, ferramentas e aplicativos mais atendem à necessidade do seu negócio e, principalmente, de forma a facilitar o processo de compra e não complicar a vida do cliente.

Repense sua proposta de valor e sua entrega

Nessa época de prioridades, em que os consumidores ficam mais seletivos com seus gastos, mais do que nunca é hora de gerar valor para o cliente desde o primeiro atendimento. Avalie se o benefício prometido pelo seu produto ou serviço é devidamente percebido, se você realmente faz diferença na vida do cliente. Pesquise a fundo seu cliente, descubra quais são suas dores, pesquise a concorrência e deixe claro porque um cliente deveria comprar o seu produto e não o dos seus concorrentes. Dica de ouro: ligar para seus principais clientes e ouvir o que tem a dizer sobre sua empresa pode trazer ótimas contribuições para seu negócio.

Invista em tecnologia

Muitos dos processos atuais das empresas podem ser melhorados ou até mesmo substituídos por inovações tecnológicas. Os exemplos são inúmeros: aplicativos para transacionar pagamentos, contratos assinados digitalmente, plataformas online para reuniões, gestão de equipes e fluxos de trabalho são algumas entre milhares de inovações disponíveis para facilitar o dia a dia das equipes e reduzir custos. Mas não se esqueça de manter viva a cultura da empresa e a humanização nas relações com clientes e colaboradores. Tecnologia é ferramenta, enquanto pessoas sempre serão pessoas.

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