Fiat Strada: mas pode chamar de “novo Palio”

Já se foi o tempo que o principal carro da marca italiana no Brasil era um hatch compacto

A Fiat é conhecida no Brasil por duas características principais: especialista em carros compactos e agilidade na tomada de decisões para inovar no mercado. Foi assim desde a chegada da marca ao país, em 1976, com o hatch 147 e sua versão 100% a etanol; e depois seguiu com o Uno e o projeto à frente de seu tempo, que lhe valeu nada menos que 30 anos de loja praticamente sem grandes mudanças. Mas o tempo passou e o hoje o carro mais vendido da Fiat é uma picape – compacta, por sinal, e que também tem a ver com o histórico de pioneirismo da marca no Brasil.

Foto Motor 1

Não custa lembrar, a primeira picape compacta do mercado nacional, derivada de um carro de passeio, foi a 147 Pick-up, que a Fiat lançou em 1978. De lá para cá, o projeto evoluiu para a picape do Uno (Fiorino) e do Palio (Strada), até que agora ganhou status de produto exclusivo, não derivando exatamente de nenhum modelo específico, mas sim com características e componentes de diversos modelos – alguma coisa de Mobi, um pouco de Argo e um tanto do aprendizado de anos com suas picapinhas, especialmente em termos de suspensão e robustez.

Tudo isso para dizer que o jogo mudou tanto que, hoje, o carro mais importante da Fiat no Brasil não é mais um hatch compacto como o Uno, o Mobi ou o Argo. Aqueles tempos de Palio como best-seller da marca ficaram para trás. E as estratégias que eram aplicadas nos hatches de maior volume hoje migraram para a nova Strada, esta sim o “novo Palio” da Fiat, o modelo que em pouco tempo já fez a marca voltar a brigar pela segunda colocação do mercado nacional (ultrapassando a outrora líder Chevrolet) e, enquanto escrevo esta coluna, está em terceiro lugar no ranking de automóveis mais vendidos do mês de agosto – e bem próxima do segundo colocado, o Hyundai HB20. Enquanto isso, o Argo, representante de maior destaque da empresa entre os hatches compactos, vem apenas na sexta colocação. E o próximo Fiat da lista, vejam só, é outra picape: a Toro, que emprestou muito do seu visual e proposta de sucesso para a Strada.

A definição de versões da Strada lembra muito a dos “populares” de um tempo atrás. Para começar, a Fiat manteve a geração antiga da picape na versão Hard Working como o “Palio Fire”, para aqueles consumidores com orçamento mais apertado. Já as versões de entrada da nova geração mantiveram o motor 1.4 Fire e a direção hidráulica do modelo anterior para não salgar os custos, seja de compra, seja de manutenção – é um motor conhecido da maioria dos mecânicos. Já no caso das versões mais caras, aí sim estão as principais novidades, como a cabine dupla com quatro portas, o motor 1.3 Firefly e a multimídia com Apple Carplay e Android Auto via Bluettooth, que não precisa de cabo (opcional nas versões de entrada).

Mas a própria Fiat sabe que a gama da Strada ainda está incompleta. O consumidor que utiliza a picape para trabalho está satisfeito com as opções atuais, mas o cara do estilo de vida, aquele que quer levar a bike ou a prancha na caçamba, está à espera do câmbio automático. Ou seja, assim como a Fiat teve de correr atrás de um câmbio automático para seu hatch compacto, o Argo (que resultou no conjunto motor 1.8-câmbio AT vindo da Toro), agora a marca acelera o desenvolvimento de uma caixa CVT da Aisin para casar com o 1.3 Firefly da Strada. E não deve parar por aí.

Foto Motor 1

Em entrevistas recentes à imprensa, o diretor do Brand Fiat, Herlander Zola, já externou que a marca pretende lançar uma versão topo de linha da nova Strada acima da Volcano, possivelmente nos moldes Trekking ou Adventure que tanto fizeram fama na antecessora. Ou seja, aliando versões para o trabalho e o lazer, a Fiat pode conseguir com que a nova Strada até supere a meta de crescer 20% o volume da antiga e faça da sua picape compacta um dos modelos mais vendidos do Brasil – exatamente como ela pensava com o Palio anos atrás. E você, acha que a nova Strada pode levar a Fiat de volta ao caminho da liderança do mercado brasileiro?

Por Daniel Messeder – Motor1